CONHECENDO OS CÂNIONS EM CAMBARÁ

No nosso primeiro ano com a Kombi, fizemos também a nossa primeira viagem para o Uruguai. Era dezembro de 2014 e no segundo dia na estrada tínhamos o objetivo de chegar em Viamão no Rio Grande do Sul. Chegamos no nosso destino no final do dia e tivemos alguns problemas até encontrar um lugar para descansar (contamos tudo aqui). Uma das coisas que chamou a atenção nesse dia foi que próximo ao limite dos estados de SC e RS nós vimos algumas placas falando sobre Cânions. Depois daquele dia tratei de pesquisar um pouco mais sobre esse destino.

Na nossa segunda passagem pela região, em outubro de 2015 quando estávamos mais uma vez rumando ao Uruguai e nosso destino era Torres já no Rio Grande do Sul, mais uma vez as placas para os cânions chamaram a nossa atenção. Daí fica aquela dúvida, né. Naquele dia a gente tava saindo para a maior viagem das nossas vidas e não aproveitamos os destinos no nosso próprio estado, não vimos as praias famosas e nem os famosos cânions, que já havíamos vistos fotos e pesquisado tanto. Toda a “pressa” para sair do país foi pausada dois dias depois em São José do Norte onde aprendemos na marra que a melhor forma de viajar é parar, conhecer o lugar, as pessoas e fazer parte do lugar.

Foi a reflexão nestes momentos que fez a gente tirar alguns dias de férias e conhecer os destinos (LINDOS) que sempre estiveram tão perto e  gente não conhecia. Nosso principal objetivo nessa viagem? Conhecer os cânions. E nós chegamos lá, depois dos 100km na estrada de chão e um dia de descanso em um dos campings mais legais que já ficamos.

Nessa pesquisa descobrimos que existem vários cânions pelo caminho, cada um com as suas peculiaridades. Nos atemos aos que estavam próximos a nossa localidade. O primeiro que visitamos foi o Cânion Fortaleza, que fica no Parque Nacional da Serra Geral, no interior da cidade de Cambará do Sul.  Os dois parques da região estão sendo cuidados por voluntários e o valor da entrada também é voluntário, para ajudar na manutenção e limpeza do local. Esse Parque tem pouca infraestrutura, conta com as placas indicando o caminho até o mirante e a trilha para a Pedra do Segredo e algumas lixeiras espalhadas, na recepção você pode usar o banheiro sem problemas.

Iniciamos nossa visita com a indicação do guia na entrada, ir até o mirante pois dentro de alguns minutos o tempo poderia fechar. Deixamos a Kombi no estacionamento e com poucos passos chegamos na boca do cânion, dali vimos as pessoas rumarem para o mirante e parecia tudo tão distante. A trilha até o mirante tem 2km de extensão e o que parece ser uma subida sem fim de longe, se revelou uma caminhada tranquila e com uma vista muito bonita. Chegamos no topo e a previsão do guia aconteceu, aos poucos vimos as nuvens fecharem toda a vista. Sem muito para continuar a ver, voltamos ao estacionamento e seguimos para a trilha da cachoeira do Tigre Preto e da Pedra do Segredo.

Antes de iniciar a segunda trilha fizemos um lanche, o relógio já passava das 12h. Esse segundo caminho é mais curto, pouco mais de 1km e logo no início nos deparamos com uma placa, tinha um aviso que para ver um mirante do lado sul, você teria que pegar a pequena trilha até às 13h. Resolvemos seguir para esse destino, o parque estava sendo visitado por muitas pessoas, mas só nós pegamos esse caminho. Falava que eram 500m, andamos andamos e concluímos que aquela visão era o nosso destino e voltamos para a trilha principal. Por lá, depois de uns minutinhos de caminhadas tivemos que atravessar um rio e começamos a gostar do lugar. Esse pequeno riacho desaguava em uma cachoeira, aquela do Tigre Preto que a placa indicava, a primeira vista o lugar era bonito, mas foi preciso caminhar mais um pouco, para ter visão da grandiosidade daquela queda d’água. Ficamos hipnotizados e decidimos que esse era o nosso lugar favorito no Parque.

Concluímos a caminhada chegando a Pedra do Segredo, que é uma pedra que se “equilibra” em outra pedra misteriosamente na borda do cânion. Conhecemos o Parque apenas pelas trilhas já pré-definidas e gostamos muito do lugar. Aproveitamos o resto do dia para reabastecer nosso estoque de comida e aproveitar a vida no camping. Ainda no parque a chuva começou a cair e decidimos voltar para recolher a roupa, que um dos nossos vizinhos já havia recolhido, faltou obrigados para agradecer a gentileza.

Depois de uma noite descansada, muita pipoca e mais um episódio de Breaking Bad pra conta, nos despedimos do camping e partimos com destino a Santa Catarina. No limite entre os estados está outro parque nacional, desta vez o Aparados da Serra, onde fica o famoso Cânion Itaimbezinho. Também trabalhando com a ajuda de voluntários, a estrutura do Parque se destaca do que visitamos no dia anterior. Amplo estacionamento, centro para visitantes, banheiros na entrada e durante a trilha principal, além de informações detalhadas e exposição permanente de fotos e artefatos da região.

Iniciamos pela trilha maior, desta vez com extensão de 3km, a placa indicava que você poderia fazer a pé ou de bicicleta, começamos caminhando e depois de 500m voltamos para pegar as bicicletas. O caminho era amplo, algumas pessoas são autorizadas a irem de carro até o local, subidas e descidas leves, alguns buracos e pedras soltas, mas posso afirmar que a minha monareta tirou tudo de letra. Depois que concluímos o Germano falou que se surpreendeu com o meu desempenho naquele terreno. Já na volta cruzamos caminho com o casal Brasil/Alemanha que dividia o camping com a gente e também com o senhor da Kombi Safari que era nosso vizinho no camping e tinha vindo até o parque com a sua bicicleta, além de um jovem que ele conheceu pelo caminho e nos apresentou, um mexicano a 5 anos na estrada de bike.

Mesmo com o guia nos aconselhando que a trilha menor era melhor fazer sem as bicicletas, nós levamos elas até onde conseguimos e vimos juntos os mirantes para as cachoeiras e para o vértice do cânion. A trilha maior nos levou ao cotovelo do cânion, a imagem que sempre vimos em fotos da região. Não sabemos se foi por ver aquela imagem repetidas vezes em todos os lugares que procurávamos por informações ou se por já ter visitado o Cânion Fortaleza, mas não nos “surpreendemos” muito com a paisagem. Já no mirante para o vértice, nos encantamos com a paisagem e definimos que as trilhas menores foram as nossas favoritas nos dois parques.

No final do dia nos despedimos da região e descemos a serra rumo a Praia Grande, já em Santa Catarina, é desta cidade que é feita a trilha por baixo dos cânions, mas deixamos passar a oportunidade e rumamos ao litoral catarinense. Ainda na estrada ficamos na dúvida de continuar por terras gaúchas, mas mantemos o plano inicial e fomos buscar um lugar para ficar próximo ao mar.

Veja o vídeo com a nossa passagem por lá:

Até mais!

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